sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Descaso

A verdade é que em muitas situações da vida nos encontramos em verdadeiros 'becos sem saída'. Ficamos expostos a tantas coisas que chegam a nos surpreender, como por exemplo o desprezo da nossa própria família, que segundo a lei da vida são quem deveriam estar ao nosso lado para nos apoiar na alegria ou na tristeza, na saúde e na doença. Mas dessa vez a estacada nas costas veio daqueles com quem eu compartilho sangue.
Nunca houve um exemplo de família perfeita, e é assim desde o início dos tempos. Caim e Abeu, integrantes da primeira família a habitar a Terra já tinham seus conflitos. Não existem famílias que vivem em eterna harmônia, isso é uma verdadeira concepção irrealizável. Mas como todo filho, esperamos ao menos o apoio do pai para a nossa jornada nesse mundo. Sempre estamos esperando o incentivo, e as palavras sábias de nossos pais a nos guiarem, embora nem sempre é isto o que acontece.
Estou com o coração amargurado pedindo carinho e apoio dos que eu mais amo, e tudo o que eu consigo é um 'Você é fraca demais, nunca vai conseguir.' ou então 'Que tola, não sabe fazer nada da vida'. Odeio ser notada, gosto mesmo é de passar despercebido pela vida dos outros, ... ficar de trás da cena. Mas eu sei de todo o potencial que Deus tem me dado, sei o quão valorosos são, e que são muitos esses talentos, agradeço a Ele por isso, mas não esperem de mim que eu chegue para ser reconhecida mostrando todas as minha habilidades. Gosto de surpreender, de chegar de mansinho, como quem não quer nada. Sou misteriosa. E apesar de não ligar para absolutamente nada do que digam de mim, meu coração tão frágil se magoa ao saber da pseudo opinião dos que não me conhecem ao meu respeito. Você pode me questionar : Quem são os que te desconhecem? O casal de senhores idosos da quadra de baixo? ... Não meu caro, os que não sabem do que se passa dentro de mim são minha família, e eu lamento muito por isso.
Isso é um desabafo. E sinceramente estou cansada de sempre tentar me manter forte quando na verdade eu já não tenho mais forças. Cansei de fazer tudo para agradar, e sempre acharem que não é suficiente. Absurdamente cansada de ouvir comparações, de palavras negativas. Isso passa longe de drama. É realidade. E dói, machuca. Não só por não reconhecerem tudo o que sou, mas por acreditarem que eu não sou. E eu sei que sou. Sou muito mais do que o fracasso que eles pensam eu ser.
Vou me culpar por ser humana? Não. Eu erro sim, e erro muito. Mas nunca dei motivos para me menosprezarem. Quando eu menos esperei, um minuto de descontração e risadas gostosas viraram somente olhares de desprezo.
Já não tenho mais aquelas queixas infantis como 'tudo dá errado pra mim' ou 'como sou besta, faço tudo errado'. Não tenho que provar nada a ninguém, eu sei de mim. Mas um dia eles verão o que eu sou. Não quero ser glorificada, mas agora já virou uma questão de honra... Eu sou o que ninguém vê.

Bruna Saturnina

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Desabafo

Já faz um certo tempo que não escrevo. Talvez eu devesse me lamentar por tudo aquilo que senti durante esse tempo de "recesso" literário e deixei passar, sem ao menos registrar um ponto final.. Ou melhor, registrei sim. Pois este ficou gravado em mim como uma ferida que não quer cicatrizar... "Desanimo". Ele justifica tudo.
Eu sou apenas uma pseuda-escritora, que vive em um mundo junto com todos. Sou ser humano com um milhão de emoções na flor da pele. Eu erro. Acerto. Eu sinto. Não sou fruto da Era Digital, que pode ser programada a fazer o que quiser quando bem entender. Não sou máquina de escrever.
A minha soberba e a necessidade de estar sempre certa, e agindo de acordo com aquilo que penso as vezes falha. Eu sei viver bem dentro de mim. Sei gritar e fazer os muros que me cercam caírem. Porém, não sei lidar com os meios termos que a vida exige de mim, muito menos com as pessoas que parecem pegar meu coração e pisoteá-lo como qualquer coisa sem valor.
Sou muito pouco, tudo o que sou aprendi na solidão, olhando de longe como quem não quer nada.. Não consigo se quer dizer se foram certos os caminhos que me trouxeram até aqui. Só sei que aqui estou. Foram muitos os meus pecados, mas, creio eu, que nenhum justifica o desprezo que alguns têm para com minhas miseras palavras.
Talvez se eu mergulhasse na imensidão da ignorância sem medo, algo começaria a fazer sentido. Talvez minha existência na vida das pessoas faria sentido. Senti e ainda estou sentindo todos os meus desejos girando no meu estômago, esperando para serem vomitados a qualquer instante, mas todos estão surdos. As palavras sumiram.
Minhas ideias e meus ideais estão perdidos em tudo o que eu fui, tudo o que sou agora, e tudo o que pretendo ser, e por mais que eu lute para encontrar-me, não consigo achar uma saída. Estou presa em minhas vontades, me afogando nas mágoas que estão dentro de mim enquanto espero aquilo que é inteiro chegar.
Quero ser breve.. Coração de poeta é vidro. Caiu, quebrou. Mas antes, fere quem o deixou cair.


Bruna Saturnina